A Floresta e o Aquecimento Global

As ações do Instituto Vidágua pela Água&Floresta estão diretamente comprometidas com a mitigação das mudanças climáticas. Isso porque ações de reflorestamento promovem o seqüestro do carbono, gás responsável por 60% do aquecimento global (conheça aqui os outros gases que estão sobrando na nossa atmosfera!). Para crescer, as plantas capturam o gás carbônico atmosférico através do processo de fotossíntese e o armazenam como material orgânico.

A fotossíntese é o único processo que captura o gás carbônico da atmosfera – vale lembrar que o petróleo se constitui da decomposição de florestas que existiram há milhões de anos. Em contrapartida, o homem tem várias maneiras de emití-lo: queimando combustíveis fósseis (isso é: petróleo, carvão...), praticando queimadas rurais e ainda desmatando.

O atual modelo de desenvolvimento gera uma cadeia de destruição bem mais complexa que a relação entre gás carbônico e fotossíntese. A ONG WWF concluiu em um de seus recentes estudos que a combinação das atividades humanas - tais como desflorestamento e exploração irracional de madeira - com as mudanças climáticas aumenta o ressecamento do solo e da floresta, debilita e causa a morte das árvores, que acabam servindo como combustível para os incêndios florestais. Ou seja, aumentando mais uma vez a emissão de carbono e aquecendo o planeta

E um mundo mais quente pode até ter abundância de vegetação, mas ele certamente será bem mais pobre em diversidade. O processo de empobrecimento já foi deflagrado. Um estudo internacional feito com plantas da Floresta Amazônica revelou que quando as folhas atingem uma temperatura superior a 33ºC, a capacidade da planta de realizar fotossíntese (ou seja, de se alimentar) é prejudicada. No mínimo, o processo impede o crescimento do vegetal. Na pior das hipóteses, o mata.

Por outro lado, o seqüestro de carbono gera uma cadeia de impactos positivos, ajudando a mitigar as mudanças climáticas de forma sistemática. Não imagina como? Ora, se o aquecimento resseca a floresta amazônica e a torna mais suscetível a incêndios, o reflorestamento eleva a umidade do ar, fixa a água no solo e ainda evita o assoreamento dos rios. Reflorestar também favorece o surgimento de outras espécies vegetais que aproveitam a sombra e a água trazida pelas “pioneiras”.

É claro que o reflorestamento sozinho nunca dará conta de reequilibrar a quantidade de gases estufa na atmosfera, de modo que seja imprescindível uma mudança de modelo de desenvolvimento na sociedade, para processos de produção e consumo sustentáveis e independentes do carbono.

Ciclo Global do Carbono / Fonte: Moacyr Dias Filho